Reconhecer os sintomas de diabetes tipo 2 é muito importante para fazer o rastreamento da doença, exames e diagnóstico correto. Essa condição, muitas vezes silenciosa, pode evoluir sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais.
Atualmente o número de diabéticos adultos no mundo é de 537 milhões de pessoas. E se o número já parece alto, a tendência é que ele cresça ainda mais. De acordo com o Atlas do Diabetes a expectativa é que, até 2050, a taxa de pessoas com diabetes possa chegar a 853 milhões.
No ano de 2024, cerca de 3,4 milhões de indivíduos morreram de causas ligadas à doença em todo o mundo.
Na América do Sul, 1 em cada 11 adultos vive com diabetes, totalizando 32 milhões de pessoas. Além disso, ainda de acordo com o relatório, 541 milhões de adultos têm a tolerância à glicose prejudicada (IGT), o que os coloca em alto risco de diabetes tipo 2.
Quais são as principais causas e como se inicia a diabetes tipo 2?
Antes de saber os sintomas, conheça as principais causas da Diabete Melitus tipo 2 (DM2) tipo 2, doença que possui interferência tanto de fatores genéticos quanto de fatores ambientais.
Dentre os principais fatores de risco estão:
Obesidade
O sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para a Diabete Melitus tipo 2. O risco é maior para pessoas que têm um IMC acima de 25. Cerca de 90% das pessoas com diabetes tipo 2 possuem sobrepeso.
Histórico familiar influencia a diabetes tipo 2
O histórico de parentes, principalmente de primeiro grau, aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes. Essas pessoas devem ter um cuidado ainda maior com o excesso de peso.
Etnia
As etnias com maiores riscos de diabetes são: asiáticos, hispânicos, negros e brancos em ordem decrescente.
Gordura abdominal
Outro fator que tem influência é o modo como a gordura está distribuída. A gordura abdominal apresenta maior risco em relação à gordura no quadril, por exemplo. Medidas de cintura a partir de 102 cm para homens e de 88 cm para mulheres elevam o risco de desenvolver diabete tipo 2.
Idade é fator de risco para diabetes tipo 2
Apesar de também ocorrer em crianças e jovens, esse tipo de diabetes é mais comum a partir dos 45 anos.
Sedentarismo
O sedentarismo aumenta o risco de obesidade e de diabetes. Já a prática de atividade física ajuda a controlar o peso e também influencia nos níveis de glicose no sangue.
Cigarro
O cigarro aumenta em 40% a chance de desenvolver diabetes tipo 2. Sobre esse hábito, assim como o consumo de álcool e o sono inadequado, sugerimos a leitura de artigo sobre hábitos que ajudam a evitar a doença.
Dieta
Pessoas que consomem muita carne vermelha, alimentos processados, calorias em excesso e muito açúcar também têm um risco aumentado para DM2.
Hipertensão
A hipertensão é um fator de risco para a diabetes. O que não se sabe é se ela apenas possui os mesmos fatores de risco ou se possui um papel importante no desenvolvimento da doença.
Colesterol elevado
Tanto o alto nível de LDL quanto o baixo nível de HDL são fatores para o alto risco da doença.
Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
É comum que mulheres com SOP desenvolvam resistência à insulina, aumentando o risco de diabetes;
Diabetes gestacional
Se a mulher tiver diabetes durante a gestação, ela corre risco elevado de desenvolver a diabetes tipo 2 até dez anos após a gravidez.
Uso de corticóides
Consumo de forma prolongada tem como possível efeito colateral o desenvolvimento de possíveis sintomas de diabetes tipo 2.
Como é feito o diagnóstico da doença?
De acordo com a Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (SDB) recomenda-se usar como critério de diagnóstico de DM a glicemia plasmática de jejum maior ou igual a 126 mg/dl.
Resultados de glicemia em jejum que vão de 100 a 125 mg/dL, já são indicação de pré-diabetes.
No entanto, o teste oral de tolerância oral à glicose (TOTG) é indicado em situações nas quais o paciente apresenta dois ou mais fatores de risco.
Neste teste o paciente realiza ingestão oral de glicose anidra, após manter dieta elevada em carboidratos por 3 dias. A coleta de glicose é realizada após 2h e o resultado é medido da seguinte forma:
- Igual ou acima de 200 mg/dL – diabetes;
- Entre 140 e 199 mg/dL – intolerância diminuída à glicose.
Existe ainda um outro método para o diagnóstico chamado de hemoglobina glicada (HbA1c). Ele busca determinar a quantidade média de glicose absorvida pela hemoglobina no sangue.
Resultados de até 5,6% são considerados normais. Entre 5,7 e 6,5% o diagnóstico é de pré-diabetes e, acima de 6,5%, o indivíduo é considerado diabético, necessitando de acompanhamento para controlar a diabetes.
Os valores são, resumidos da seguinte maneira:
- Glicemia de jejum alterada → ≥ 126 mg/dL
- Glicemia após sobrecarga de glicose ou glicemia ao acaso → ≥ 200 mg/dL
- Hemoglobina glicada ou HbA1c → ≥ 6,5%.
Conheça os principais sintomas de diabetes tipo 2
Os sintomas de diabetes tipo 2 costumam aparecer em uma fase mais avançada da doença porque ela é, na maior parte das vezes, uma doença silenciosa. Por isso, é importante ficar atento, principalmente se o paciente apresentar fatores de risco.
Confira os mais comuns:
- Boca seca e sede em excesso;
- Fome constante;
- Vontade de urinar repetidamente;
- Perda de peso;
- Cansaço frequente;
- Feridas que demoram cicatrizar;
- Formigamento nos membros inferiores;
- Visão embaçada;
- Aparecimento de manchas escuras nas dobras, como pescoço, axila e virilha;
- Alterações de humor ou irritabilidade sem causa aparente;
- Infecções frequentes, como candidíase ou infecção urinária.
Cerca de 40% das pessoas que desenvolveram a doença não têm conhecimento sobre isso devido à ausência de sintomas da diabetes tipo 2 nas fases iniciais.
Por isso, a busca ativa por casos está indicada em algumas situações. De acordo com as diretrizes da SDB, o rastreamento é recomendado para todos os indivíduos com 45 anos ou mais, mesmo aqueles que não apresentam fatores de risco.
O rastreamento também deve ser feito em pessoas com sobrepeso/obesidade que tenham pelo menos um fator de risco adicional para a doença.
Se não houver controle da diabetes, ao longo dos anos essa descompensação acaba gerando problemas aos órgãos como os rins, olhos e nervos. Além disso, devemos lembrar que problemas na saúde física, pode afetar o equilíbrio emocional.
Como é o tratamento da diabetes tipo 2
Diante de um diagnóstico de diabetes, muitas pessoas ficam assustadas e inseguras, mas um profissional de saúde consegue ajudar o paciente no controle do medo e na busca pela precaução.
O primeiro passo é o controle da glicemia. Para isso, a adoção de hábitos saudáveis é essencial, incluindo uma mudança alimentar e a prática de atividades físicas.
O planejamento alimentar faz parte de uma vida mais saudável para qualquer pessoa, principalmente para quem tem diabetes. Não se trata de uma dieta, mas sim de uma reeducação alimentar.
Medicamentos
A maior parte dos casos de diabetes tipo 2 é tratada com medicação oral.
Os medicamentos antidiabéticos podem tanto aumentar a produção de insulina, quanto melhorar a sensibilidade do organismo a ela.
Eles também podem reduzir a produção de glicose, assim como a absorção dela na alimentação.
As principais classes de medicamentos para diabetes são:
- Biguanidas: aumentam a absorção de glicose por tecidos e diminuem sua produção no fígado.
- Sulfonilureias: ação hipoglicemiante, aumentando a produção de insulina pelo pâncreas;
- Meglitinidas: aumentam a oferta de insulina, a partir da atuação sobre receptores de células beta do pâncreas;
- Acarbose: retarda a metabolização da glicose no intestino e reduz a presença dessas moléculas no sangue;
- Glifozinas: aumentam a eliminação de glicose pela urina, a partir da atuação nos rins como inibidores do SGLT2 (cotransportador de sódio-glicose);
- Gliptinas: sua função é estimular a produção de insulina, retardar o esvaziamento do estômago e reduzir o apetite;
- Agonistas dos receptores do GLP-1: bloqueiam a oferta de glicose pelo fígado e diminuem sua absorção no estômago e intestino, além de atuar também como redutor de apetite.
Uso de insulina para tratar a diabetes tipo 2
O uso de insulina não é indicado para todos os pacientes com sintomas dessa doença, mas sim para casos em que o medicamento oral não é suficiente. De modo geral, a indicação é feita logo após o diagnóstico ou em casos de diabetes de difícil controle.
Como é feita a medição de glicemia?
A medição da glicemia deve ser feita ao menos uma vez ao dia, porém, essa recomendação, que deve ser feita pelo médico, pode variar de acordo com as características de cada paciente.
Para quem realiza a administração de insulina, o número de medições costuma ser de 3 a 4 vezes por dia.
Como funciona o acompanhamento da doença?
O acompanhamento da diabetes deve ser feito por meio de exames e consultas regulares com a equipe médica.
O exame de neuropatia costuma ser realizado uma vez ao ano por meio do Teste do Monofilamento. Ele é feito nos pés para testar a sensibilidade e pode ser realizado em consulta.
Para investigação de Retinopatia, a frequência pode ser anual ou com menor intervalo de tempo. O exame de fundo de olho pode detectar alterações nos vasos sanguíneos.
Já o acompanhamento de nefropatia se inicia logo após o diagnóstico.
Diabetes tipo 2, uma doença silenciosa
Como vimos, os sintomas de diabetes tipo 2 podem aparecer quando a doença já está mais avançada e são manifestações corriqueiras. Entre elas, temos: sede excessiva, boca seca, formigamento nas mãos e nos pés, dentre outros.
Por isso, no consultório é importante ficar atento aos sintomas e aos fatores de risco da doença para saber quando realizar a investigação.
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Dúvidas frequentes sobre diabetes tipo 2
1. Diabetes tipo 2 tem cura?
Não. A diabetes tipo 2 não tem cura, mas pode ser controlada com mudanças no estilo de vida e tratamento médico adequado.
2. Posso ter diabetes tipo 2 sem sintomas?
Sim. Muitas pessoas só descobrem em exames de rotina, pois os sintomas iniciais podem ser leves ou inexistentes.
3. Quais são os primeiros sintomas de diabetes tipo 2?
Sede intensa, urina frequente, fome em excesso,feriadas que demoram a cicatrizar, cansaço e perda de peso sem motivo são os sinais mais comuns.
4. Quem tem mais risco de desenvolver diabetes tipo 2?
Pessoas com sobrepeso, histórico familiar, sedentarismo, hipertensão ou síndrome dos ovários policísticos têm mais chance.
5. Diabetes tipo 2 causa dor?
Normalmente não, mas a doença pode causar formigamento ou dor nos pés e mãos por conta da neuropatia diabética.
6. Quem tem diabetes pode comer doce?
Com moderação e sob orientação médica. O mais importante é manter o controle da glicemia com alimentação equilibrada.
7. Como saber se estou com diabetes tipo 2?
Somente exames laboratoriais, como glicemia de jejum e hemoglobina glicada, confirmam o diagnóstico.


