Mucosite oral

Mucosite oral: o que é e como aliviar esse efeito colateral do tratamento do câncer

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A mucosite oral é um dos efeitos colaterais mais desconfortáveis e desafiadores relacionados ao tratamento do câncer. O problema é que ela costuma surgir justamente em um momento em que o paciente já está fragilizado física e emocionalmente, o que torna seu impacto ainda maior. 

Logo nos primeiros ciclos de quimioterapia, sessões de radioterapia ou procedimentos como o transplante de células-tronco, muitos pacientes começam a perceber alterações na boca, garganta ou até no trato gastrointestinal. 

As lesões podem ser dolorosas, dificultar a alimentação, prejudicar o sono e até interferir no próprio tratamento do câncer, exigindo adaptações no plano terapêutico.

Por isso, compreender o que é a mucosite oral, porque ela acontece e como reduzi-la faz toda a diferença ao longo da jornada oncológica. Afinal, mesmo sendo um quadro comum, a mucosite oral merece atenção cuidadosa e suporte profissional contínuo. 

A boa notícia é que existem formas de prevenção, tratamentos eficazes e estratégias de manejo que reduzem significativamente o desconforto e ajudam o paciente a manter qualidade de vida durante essa etapa. Descubra como lidar com isso neste artigo.

O que é a mucosite oral?

A mucosite oral é uma inflamação que afeta a mucosa da boca, garganta e, em alguns casos, todo o trato gastrointestinal. 

Ela acontece quando o tratamento do câncer, que pode incluir quimioterapia, radioterapia e transplante de células-tronco, danifica as células que revestem essas regiões.

Como essas células se multiplicam rapidamente, assim como as células tumorais, elas acabam sendo mais sensíveis aos efeitos dos tratamentos. O resultado é o surgimento de lesões que podem incluir:

  • Feridas avermelhadas e dolorosas
  • Úlceras abertas
  • Inchaço
  • Dificuldade para engolir
  • Alteração no paladar
  • Dor ao falar ou mastigar

A mucosite também pode afetar o estômago e o intestino, causando sintomas como náuseas, diarreia, desconforto abdominal e fezes dolorosas.

Por quanto tempo dura a mucosite oral?

A duração varia muito de acordo com o tratamento. Em geral:

  • Surge entre 7 e 14 dias após o início da quimioterapia,
  • Tende a melhorar entre 1 e 6 semanas após o fim dos ciclos,
  • Na radioterapia, costuma aparecer após 2 a 3 semanas e pode durar até 4 semanas depois.

Quando não tratada, a mucosite oral pode prejudicar a alimentação, levar à perda de peso, aumentar o risco de infecções e até exigir pausas no tratamento do câncer.

Como a mucosite oral é diagnosticada?

O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um profissional de saúde. Então assim que perceber qualquer ferida, dor ou alteração na boca, o paciente deve avisar imediatamente sua equipe oncológica. A partir daí o médico vai avaliar:

  • Histórico clínico,
  • Presença de feridas ou inflamações na boca,
  • Sinais de infecção,
  • Possíveis impactos no trato gastrointestinal.

Em alguns casos, podem ser solicitados:

  • Exames de imagem, para investigar inflamação mais profunda.
  • Exames de sangue, para verificar infecções bacterianas ou fúngicas e níveis de glóbulos brancos.

Quanto antes o diagnóstico é feito, mais rapidamente o tratamento pode ser iniciado, reduzindo complicações.

Quais são as complicações da mucosite?

A mucosite oral pode trazer complicações importantes, especialmente para quem está enfrentando um câncer e já tem o organismo mais vulnerável.

Desnutrição

As feridas dolorosas na boca e garganta dificultam a ingestão de alimentos. Como pacientes oncológicos já costumam ter alterações no apetite e perda de peso, o risco de desnutrição é alto. 

Diarreia crônica

Quando a mucosite afeta o intestino, o paciente pode ter diarreia persistente. Isso amplia o risco de desidratação e anemia.

Infecções

As mucosas são barreiras naturais contra a entrada de microrganismos. Quando se rompem, deixam o organismo exposto a bactérias e fungos.

Por isso os pacientes com mucosite e baixa contagem de glóbulos brancos têm risco maior de desenvolver septicemia — uma infecção grave da corrente sanguínea.

Interrupção do tratamento do câncer

Em casos severos, a mucosite pode exigir mudanças no plano terapêutico, como postergar sessões ou ajustar doses. Mas isso pode comprometer a eficácia do tratamento.

Quais tipos de tratamento contra o câncer podem causar mucosite oral?

A mucosite pode ser desencadeada principalmente pelos seguintes tratamentos:

  • Quimioterapia
  • Radioterapia
  • Alguns medicamentos de terapia direcionada
  • Transplantes de células-tronco

Isso ocorre porque esses tratamentos atingem células que se multiplicam rapidamente, tanto as cancerígenas quanto as saudáveis.

Quando a mucosa é danificada, fica irritada e inflamada. Isso permite a entrada de bactérias e o surgimento das úlceras.

Pacientes submetidos a doses altas de quimioterapia pré-transplante têm risco ainda maior.

Como evitar a mucosite oral?

Não existe forma 100% eficaz de prevenir a mucosite. Porém, existem diversas medidas que podem reduzir o risco e ajudar a proteger a boca durante o tratamento.

Faça um exame odontológico antes do tratamento

Visitar o dentista antes de iniciar a terapia oncológica é fundamental. Problemas como cáries, gengivites, tártaro ou dentes comprometidos podem piorar muito durante o tratamento e favorecer a mucosite.

Informe seu médico sobre feridas que já teve na boca

Se o paciente tem histórico de aftas ou infecções como herpes labial, isso precisa ser comunicado. O médico pode recomendar estratégias preventivas específicas.

Mantenha cuidados diários com dentes e gengivas

  • Escovação suave, 3 a 4 vezes por dia
  • Fio dental diário (com cuidado)
  • Uso de cremes dentais suaves com flúor
  • Evitar enxaguantes com álcool

Pare de fumar

O tabagismo reduz a capacidade de cicatrização e aumenta drasticamente o risco de feridas.

Tenha uma alimentação rica em frutas e vegetais

Vitaminas e antioxidantes fortalecem o sistema imunológico e ajudam na regeneração dos tecidos.

Terapia com gelo (crioterapia oral)

Em alguns tipos de quimioterapia, segurar gelo ou até sorvete na boca antes e durante a infusão reduz o fluxo sanguíneo local e diminui o risco de mucosite.

Laserterapia

A laserterapia utiliza luz de baixa intensidade para reduzir inflamação, aliviar a dor e estimular a cicatrização da mucosa oral. 

Pode ser aplicada de forma preventiva, antes do início da quimioterapia ou radioterapia, diminuindo a intensidade das lesões. Além de atuar também como tratamento quando os sintomas já estão presentes. 

Medicações preventivas

Em casos específicos – como transplantes de medula óssea – o médico pode recomendar medicamentos preventivos para reduzir a inflamação.

Como tratar a mucosite oral?

A mucosite tende a cicatrizar naturalmente após a conclusão do tratamento. Mas exige cuidados contínuos para reduzir a dor, evitar infecções e preservar a nutrição.

Manejo da dor

O controle da dor é essencial para permitir que o paciente coma, beba e fale. Entre as abordagens estão:

  • Géis tópicos anestésicos
  • Enxaguantes bucais analgésicos
  • Analgésicos orais
  • Medicamentos prescritos em casos mais graves

É fundamental não tentar “suportar” a dor, já que isso pode levar à piora do quadro nutricional e desidratação.

Cuidados com a boca

Como a mucosa fica extremamente sensível, os cuidados precisam ser feitos sempre de forma mais delicada:

  • Use uma escova de cerdas macias,
  • Opte por uma pasta suave, sem agentes abrasivos,
  • Faça enxágue com solução de água morna, sal e bicarbonato,
  • Evite o consumo de álcool, alimentos ácidos, picantes e crocantes,
  • Estabeleça uma rotina de limpeza diária de próteses dentárias.

Dieta adequada

A alimentação deve ser leve, rica em líquidos e pobre em irritantes. Boas opções incluem:

  • Purês
  • Sopas
  • Iogurtes
  • Mingaus
  • Shakes nutritivos

Fazer um acompanhamento com nutricionista é a melhor maneira de conhecer a dieta mais adequada para cada paciente.

Hidratação

Beber líquidos regularmente é fundamental. Além disso, alguns pacientes se beneficiam de saliva artificial ou até de gelo picado para aliviar a dor e aumentar a lubrificação.

Quanto tempo duram os sintomas de mucosite?

A duração da mucosite pode variar amplamente de pessoa para pessoa, porque esse efeito colateral está diretamente ligado a fatores como:

  • Tipo de tratamento oncológico adotado,
  • Intensidade das doses,
  • Condições gerais de saúde do paciente.

Em muitos casos, os primeiros sinais – como vermelhidão, ardência e sensibilidade na boca – aparecem poucos dias após o início da quimioterapia. 

Já na radioterapia, especialmente quando dirigida à região da cabeça e pescoço, os sintomas podem levar um pouco mais para surgir, geralmente após a primeira semana de sessões.

Desse modo, é comum que pacientes que recebem quimioterapia em ciclos quinzenais ou a cada três semanas percebam um padrão repetitivo: a mucosite se manifesta, melhora durante o intervalo entre os ciclos e pode retornar com o início de uma nova rodada de tratamento. 

No entanto, quando recebe uma dose mais intensa de quimioterapia como preparação para um transplante de células-tronco, a mucosite tende a ser mais severa, porém com duração geralmente menor. Geralmente acompanhando o período concentrado desse tipo de terapia.

Apesar do impacto desconfortável na rotina, uma notícia positiva: a mucosite é temporária. 

Na maioria dos casos, os sintomas diminuem progressivamente e desaparecem de forma espontânea à medida que o corpo recupera suas defesas e se adapta à finalização do tratamento oncológico. 

Esse processo costuma ocorrer entre uma e seis semanas após a última sessão, dependendo da resposta individual do organismo. 

Por isso é fundamental manter uma comunicação aberta com a equipe de saúde. Já que, quanto antes os sintomas forem identificados e cuidados forem orientados, maiores as chances de minimizar o desconforto, proteger a mucosa e garantir que a alimentação, a hidratação e o bem-estar geral não sejam comprometidos.

Vamos combater a mucosite oral juntos

A mucosite oral é um dos efeitos colaterais mais frequentes e desafiadores do tratamento do câncer, mas ela pode ser enfrentada com informação, acolhimento e suporte clínico. 

Embora alguns fatores não possam ser evitados, há muito que o paciente pode fazer para reduzir o risco e aliviar o desconforto.

Cuidar da saúde bucal, manter a hidratação, adotar uma alimentação adequada e seguir as orientações da equipe médica são medidas essenciais para proteger o corpo durante a recuperação.

A mucosite é temporária, e cada pessoa responde de um jeito. Por isso, mantenha sempre sua equipe informada sobre qualquer mudança ou dor persistente. Procurar ajuda no momento certo faz toda a diferença – e você não precisa passar por isso sozinho.

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