Leucemias e linfomas

Leucemias e linfomas – você sabe a diferença?

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Leucemias e linfomas são dois tipos de câncer que afetam, respectivamente, o sangue e o sistema linfático.  

Apesar de ambos envolverem as células de defesa do organismo, suas origens, sintomas e tratamentos são distintos. E compreender essas diferenças é fundamental para identificar sinais precoces e buscar diagnóstico no momento certo. 

Essas doenças, que fazem parte do grupo dos cânceres hematológicos, podem atingir pessoas de qualquer idade, inclusive jovens e crianças, embora alguns subtipos sejam mais frequentes em adultos e idosos. A boa notícia é que, com o avanço da medicina, as taxas de sobrevida têm aumentado significativamente nas últimas décadas. 

Portanto, informar-se é um passo importante para fortalecer a prevenção e desmistificar o diagnóstico. Também é importante para a compreensão de como o corpo reage quando suas células de defesa passam a agir de forma descontrolada. 

Leucemias e linfomas: origem e funcionamento do câncer hematológico 

Leucemias e linfomas pertencem ao grupo das neoplasias hematológicas, ou seja, cânceres que têm origem nas células do sangue ou do sistema linfático.  

Embora compartilhem semelhanças no comportamento celular, a forma como surgem e evoluem é diferente. E essa distinção é fundamental para o tratamento – saiba mais! 

Leucemias: câncer da medula óssea 

A leucemia surge quando há uma produção descontrolada de glóbulos brancos na medula óssea, tecido responsável por gerar células sanguíneas. Essa multiplicação anormal substitui as células saudáveis, causando anemia, infecções e sangramentos. 

Existem quatro subtipos principais da doença:  

1. Leucemia mieloide aguda,

2. Linfoide aguda,  

3. Mieloide crônica e  

4. Linfoide crônica.  

Destas, as agudas evoluem rapidamente e exigem tratamento imediato, enquanto as crônicas podem ser controladas por anos. 

Linfomas: câncer do sistema linfático 

Como o próprio nome indica, linfoma afeta os linfócitos, células essenciais do sistema imunológico. Ele se divide em linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin, diferenciados pelo tipo celular envolvido e pela forma de disseminação. 

O sistema linfático é composto por gânglios, baço, timo e vasos linfáticos, e quando o linfoma surge, ele compromete a capacidade do corpo de combater infecções. 

Segundo o INCA – Instituto Nacional do Câncer, para cada triênio de 2023 a 2025, estima-se o surgimento de 11.540 casos novos de leucemia. Já os de linfoma, devem ser cerca de 12.040 novos casos ao ano. 

Esses números reforçam a relevância do diagnóstico precoce, bem como do acompanhamento médico constante. 

Fatores de risco e causas associadas às leucemias e linfomas 

Ambas as doenças surgem a partir de mutações genéticas que alteram o ciclo natural de divisão celular, mas vários fatores externos e internos podem aumentar essa probabilidade. 

Veja a seguir quais os principais fatores de risco e causas associadas às leucemias e linfomas. 

Leucemias: mutações e exposição química 

A exposição prolongada a radiações ionizantes, substâncias como benzeno e pesticidas, além de tratamentos prévios com quimioterapia, estão entre os principais fatores de risco.  

Ainda que a maioria dos casos ocorre de forma esporádica, sem causa claramente identificável, fatores ocupacionais, como o trabalho em indústrias químicas, podem favorecer o risco da doença. 

Algumas doenças genéticas, como a síndrome de Down, também aumentam a vulnerabilidade, pois afetam mecanismos de reparo celular. 

Linfomas: vírus, imunidade e estilo de vida 

Nos linfomas, a infecção por vírus como HIV, Epstein-Barr (EBV) e HTLV-1 está fortemente associada ao desenvolvimento da doença.  

Além disso, pessoas com imunidade comprometida, seja por doenças autoimunes ou uso prolongado de imunossupressores, apresentam maior risco. O tabagismo e a exposição a poluentes ambientais também aparecem como fatores contribuidores.  

Embora não exista prevenção específica, manter um sistema imunológico forte e hábitos saudáveis ajuda a reduzir a probabilidade de surgimento dessas doenças. 

Sinais e sintomas: como reconhecer os primeiros alertas 

Identificar precocemente os sinais das leucemias e linfomas é determinante para o sucesso do tratamento, já que esses dois tipos de câncer hematológico podem evoluir silenciosamente nos estágios iniciais. Então fique por dentro dos sinais que podem indicar os problemas. 

Sintomas da leucemia 

Os sintomas mais comuns incluem cansaço excessivo, palidez, febre, perda de peso, manchas roxas e sangramentos frequentes.  

Isso ocorre porque a medula óssea deixa de produzir células sanguíneas saudáveis. A presença de infecções repetidas também é um indicativo importante. 

Nas leucemias agudas, esses sinais aparecem de forma súbita e intensa, enquanto nas crônicas podem se desenvolver lentamente ao longo dos meses. 

Sintomas dos linfomas 

No caso dos linfomas, o aumento indolor dos gânglios linfáticos — as “ínguas” — é o sintoma mais frequente. Eles podem aparecer no pescoço, axilas, tórax ou virilha. Suores noturnos, coceiras e perda de apetite também são comuns. 

Sendo assim, qualquer pessoa que apresente esses sintomas por mais de duas semanas deve procurar um médico. 

Diagnóstico preciso: exames e avanços tecnológicos 

O diagnóstico das leucemias e linfomas envolve diferentes exames que avaliam desde alterações no sangue até mutações genéticas específicas. Trata-se de um processo minucioso e guiado por uma equipe multidisciplinar. 

Diagnóstico das leucemias 

O hemograma completo costuma ser o primeiro indício, revelando excesso ou deficiência de glóbulos brancos. Em seguida, realiza-se a biópsia de medula óssea, que identifica o tipo celular e a presença de mutações. 

Novas técnicas de biologia molecular permitem detectar alterações genéticas antes mesmo do aparecimento de sintomas, aumentando a eficácia dos tratamentos. 

Diagnóstico dos linfomas 

Nos linfomas, o exame essencial é a biópsia de linfonodo, acompanhada de tomografia e PET-Scan. Esses métodos determinam o estágio e a extensão da doença. 

Os avanços tecnológicos têm aumentado a precisão diagnóstica e reduzido o tempo entre a suspeita e a confirmação. Assim, leucemias e linfomas passam a ser diagnosticadas com mais rapidez e segurança. 

Tratamentos e novas perspectivas de cura para os dois tipos de câncer 

O tratamento das leucemias e linfomas é cada vez mais personalizado, levando em conta o perfil genético do tumor e as características individuais do paciente. Atualmente, além de medicamentos cada vez mais eficazes, as formas mais usuais para o enfrentamento são as que listamos a seguir. 

Leucemias: terapias-alvo e transplante de medula óssea 

Além da quimioterapia tradicional, o tratamento das leucemias incorpora hoje abordagens mais avançadas que visam atacar especificamente as células malignas, bem como restabelecer o sistema sanguíneo. Aqui estão os principais métodos: 

Quimioterapia 

Tratamento clássico que utiliza medicamentos citotóxicos para destruir células de rápida divisão (incluindo as células leucêmicas). Apesar de ainda ser essencial, pode causar efeitos colaterais relevantes e não é sempre suficiente em casos resistentes. 

Terapias-alvo 

São medicamentos que agem sobre moléculas específicas envolvidas na proliferação ou sobrevivência das células leucêmicas, como mutações genéticas ou vias de sinalização alteradas. Por exemplo, inibidores de tirosina-quinase ou agentes que bloqueiam proteínas específicas no núcleo ou na membrana celular. Esse tipo de tratamento tende a ter menos efeitos colaterais sistêmicos, pois atinge mais precisamente as células doentes. 

Imunoterapias 

Estratégias que mobilizam o próprio sistema imunológico para reconhecer e eliminar as células leucêmicas. Isso inclui anticorpos monoclonais, bispecific antibodies (anticorpos que ligam simultaneamente a célula-T e à célula doente), bem como outras formas de “despertar” o sistema de defesa. Essa abordagem amplia o arsenal terapêutico além da simples “quimio”. 

Transplante de medula óssea 

Processo em que se substitui a medula óssea defeituosa por células saudáveis de um doador compatível (ou autólogo, em alguns casos) para restabelecer a produção normal de glóbulos sanguíneos.  

Também chamado de transplante de células-tronco hematopoiéticas, é indicado especialmente em casos mais agressivos ou recidivados da doença. 

Essas abordagens permitem que muitos casos de leucemia passem de uma condição de urgência terapêutica para um acompanhamento de longo prazo, com melhores chances de resposta e menos efeitos adversos. 

Linfomas: imunoterapia e terapia celular CAR-T 

No tratamento de linfomas, as opções também evoluíram muito, ampliando o leque de soluções e melhorando os prognósticos. As principais modalidades são: 

Quimioterapia 

Muitas vezes ainda usada como base, para reduzir o tumor e controlar a doença. 

Radioterapia 

Aplicação de radiação nos gânglios linfáticos ou áreas afetadas. Costuma ser um complemento à quimioterapia ou parte de estratégias combinadas em certos subtipos de linfoma. 

Imunoterapia 

Estimula ou modula o sistema imunológico para atacar as células linfáticas cancerígenas. Um exemplo é o uso de anticorpos monoclonais contra antígenos específicos (como CD20) em linfomas de células B. Essa modalidade melhora os resultados e reduz algumas toxicidades das terapias convencionais. 

Terapia celular CAR-T 

Nesta abordagem, as células T do paciente são coletadas, modificadas geneticamente em laboratório para expressar um receptor quimérico de antígeno (CAR) que reconhece e ataca as células tumorais. Depois, são reinfundidas no paciente. 

Essa técnica tem mostrado resultados notáveis em linfomas recidivados ou refratários.  

Terapias-alvo específicas 

Semelhantes ao que ocorre nas leucemias, alguns linfomas respondem bem a agentes que bloqueiam vias de crescimento celular ou antígenos tumorais específicos. E essas terapias têm sido combinadas com imunoterapia e CAR-T para maior eficácia. 

Graças a essas inovações, os linfomas e as leucemias deixaram de ser vistos apenas como doenças com prognóstico muito reservado. Em muitos casos, tornaram-se condições controláveis, com possibilidade real de remissão e acompanhamento de longo prazo. 

Viver com leucemia ou linfoma: qualidade de vida e suporte emocional 

Lidar com o diagnóstico exige não apenas tratamento clínico, mas também atenção integral à saúde emocional e social do paciente. 

Grupos de apoio, psicoterapia e práticas como meditação e yoga ajudam a enfrentar o estresse do tratamento. Já a alimentação equilibrada e o acompanhamento fisioterapêutico são fundamentais para reduzir os efeitos colaterais das terapias. 

Pacientes com suporte psicológico contínuo tendem a reduzir a taxa de recaída e a aumentar a adesão ao tratamento. O cuidado humanizado, portanto, é parte essencial da jornada contra leucemias e linfomas. 

Informação e prevenção caminham juntas 

Compreender as diferenças entre leucemias e linfomas é essencial para reconhecer sinais precoces e agir rapidamente. A informação é uma ferramenta poderosa que salva vidas, pois permite buscar ajuda médica antes que a doença avance. 

Embora não haja prevenção garantida, hábitos saudáveis, exames regulares e atenção aos sintomas são aliados valiosos.  

A ciência tem avançado de forma impressionante, tornando os tratamentos mais eficazes e menos agressivos, devolvendo esperança a milhares de pessoas todos os anos. 

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